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Conheça a Aliança do Norte, grupo inimigo do Taleban
JABAL-US-SARAJ, Afeganistão (Reuters) - A oposição no Afeganistão é chamada de Frente Unida, apesar de ser referida normalmente como Aliança do Norte, devido à localização da pequena área que ocupa. A aliança luta contra o controle do Taleban desde que o movimento islâmico subiu ao poder em Cabul (capital) em 1996, expulsando os mujahideen, cujas lutas internas pelo poder reduziram a cidade a escombros. Os EUA intensificaram os contatos com a aliança nas últimas semanas enquanto estudam a possibilidade de um ataque contra o Taleban para caçar o "hóspede" do movimento Osama bin Laden, acusado de ser o responsável pelos ataques do dia 11. Abaixo, saiba mais sobre a Aliança do Norte. QUEM SÃO ELES? A Frente Unida representa o governo que o Taleban tirou do poder em 1996 e que ainda é reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela maior parte da comunidade internacional. Sua principal força militar são as milícias de Ahmed Shah Masood, assassinado recentemente em um atentado suicida. Masood pertence à segunda maior etnia do Afeganistão, os tadjiques, que respondem por um quarto da população. Juntam-se a eles milícias de outras minorias étnicas, entre as quais as forças do general uzbeque Abdul Rashid Dostum. Os líderes dessa frente dizem se opor à interpretação extremista que o Taliban faz das leis islâmicas. Eles são adversários históricos da etnia pashtun, seio do movimento que hoje controla a maior parte do Afeganistão.
O lendário comandante tadjique Ahmad Shah Masood é de longe a figura de maior visibilidade da aliança. Seu assassinato aconteceu dois dias antes dos ataques em Nova York e Washington. Sua principal base de ação encontra-se no vale Panjsher, ao norte de Cabul. Homem de grande carisma, pôsteres com seu rosto espalham-se por todos os lugares. Seu sucessor, general Muhammad Fahim, mais discreto, era encarregado da segurança do governo da aliança. O presidente da aliança e seu chefe formal é Burnahuddin Rabbani, que não possui o mesmo carisma de Masood. O principal candidato a ocupar o vácuo deixado pela morte do general tadjique é o chanceler Abdullah Abdullah, um médico que serviu nas forças de Masood nos anos 80. O general uzbeque Abdul Rashid Dostum já lutou ao lado dos soviéticos contra Masood, mas integrou-se à aliança. Ismael Khan, um ex-líder guerrilheiro na luta contra a ocupação soviética, chegou a ser governador da região de Herat antes de ser expulso pelo Taleban. Suas forças, provavelmente com o apoio do Irã, enfrentam o Taleban na parte oeste do país. AMIGOS E ADVERSÁRIOS O maior inimigo da aliança é o Paquistão, que segundo ela criou o Taliban e o patrocinou na conquista do Afeganistão. A aliança tem apoio da Rússia (ex-adversária de Masood), que acusa o Taleban de exportar o extremismo islâmico para, entre outros locais, a República separatista russa da Chechênia. As ex-República soviética do Tadjiquistão e do Uzbequistão também apóiam a aliança. O Irã dá apoio à aliança e compartilha laços étnicos com os tadjiques. O líderes iranianos, muçulmanos xiitas, condenam a interpretação que o Taleban, um movimento sunita, faz das leis islâmicas. A Índia, adversário histórico do Paquistão, dá apoio à aliança.
A aliança diz que seu "Exército regular" conta com 15 mil homens. No vale Panjsher e na frente de batalha ao norte de Cabul o grupo mantém vários, talvez centenas, de tanques e carros blindados. As forças dela também possuem lançadores de foguete Katyusha e helicópteros soviéticos já envelhecidos. Elas ocupam o aeroporto de Bagram, que poderia ser usado pelos EUA em um eventual ataque contra o Afeganistão. |