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Ódio aos EUA toma as ruas após orações islâmicas

JACARTA (Reuters) - Manifestantes queimaram carros no Paquistão e fizeram passeatas na Indonésia, Malásia e Filipinas, na primeira sexta-feira desde que os Estados Unidos começaram a bombardear o Afeganistão. A oração da sexta-feira é tão importante para os muçulmanos como a missa dominical para os católicos, e por isso as manifans antiamericanos tentaram destruir bancos e escritórios do governo, queimaram carros e apedrejaram dois restaurantes da cadeia norte-americana Kentucky Fried Chicken.

Gritos de "Abaixo a América" foram ouvidos na mesquita próxima ao bazar Khyber, em Peshawar. Essa cidade paquistanesa tem população da etnia pashto (majoritária no Afeganistão) e muitos refugiados afegãos. Naquela região se formou a milícia Taleban, que hoje governa o país vizinho sob rígida doutrina islâmica.

O Exército paquistanês fez barricadas com sacos de areia e a polícia vigiou as ruas com armas automáticas. "Bin Laden, estamos com você", gritava um manifestante, com a foto do líder do grupo Al Qaeda estampada na camiseta.

No resto do país, os protestos foram mais pacíficos, segundo testemunhas, talvez porque na véspera o governo disse que não iria tolerar manifestações contra os EUA. O Paquistão, vizinho do Afeganistão, sofreu especial pressão de Washington e acabou permitindo a entrada de militares e equipamentos norte-americanos em seu território.

Na Indonésia, onde radicais muçulmanos prometeram expulsar norte-americanos e britânicos do país, o governo usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar as cerca de mil pessoas que se reuniram em frente à embaixada dos EUA com cartazes dizendo "Estamos prontos para defender o Islã" e "Fora americanos". Eles queimaram fotos de Bush.

Em Surabaya, segunda maior cidade do país, cinco pessoas ficaram feridas, mas em geral as manifestações em todo o país foram mais pacíficas do que prometiam os líderes islâmicos.

A MAIOR MANIFESTAÇÃO

Na Malásia, a polícia usou canhões de água contra 3 mil manifestantes que mandavam a América ao inferno, em frente à embaixada em Kuala Lumpur. Foi o maior protesto até agora desde o início do bombardeio norte-americano ao Afeganistão, no domingo.

A manifestação foi organizada pelo principal partido da oposição, o Islam se-Malaysia. Seu presidente, Fadzil Noor, entrou na embaixada dos EUA para entregar um manifesto.

Pouco antes do protesto, o primeiro-ministro da Malásia, Mahathir Mohamad, disse que os EUA deveriam parar de bombardear o Afeganistão "porque não vai ajudar na luta ao terrorismo e pode atingir muita gente, menos os terroristas".

Nas Filipinas, um país predominantemente católico, centenas de muçulmanos se concentraram em frente a uma mesquita de Manila para a prece. Eles gritavam "Morte aos americanos", "Guerra santa" e "Deus é grande". A chuva impediu uma passeata até a embaixada.

Os manifestantes disseram que pediram uma "jihad pacífica" durante a prece, mas que não descartam pegar em armas para defender o Afeganistão em um conflito prolongado. "Os muçulmanos são um povo pacífico, mas não os provoque", disse o empresário Mohammed Ershad Malli al Hajj, que participou do ato.

Houve manifestações também em Sri Lanka e Bangladesh.

A tensão chegou até à Península da Coréia, onde não há muçulmanos. O Norte, comunista, cancelou uma reunião de famílias separadas pela guerra com o Sul, capitalista. O governo de Pyongyang disse que as medidas de seguranças adotadas por Seul por causa da situação internacional estavam "atingindo os nervos do Norte".