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Ataques dos EUA aprofundam incertezas sobre economia mundial

HONG KONG (Reuters) - Os ataques ao Afeganistão liderados pelos Estados Unidos aprofundaram as incertezas sobre uma enfraquecida economia mundial, apesar dos esforços no final de semana do G7 (grupo dos sete países mais industrializados) de reativar a confiança, disseram economistas nesta segunda-feira.

Eles acrescentaram que a reação dos consumidores norte-americanos será essencial para uma possível recuperação, mas que por enquanto há muita cautela.

"Prevemos que o consumo desacelere marcadamente nos próximos meses", disse um economista sênior de um banco de investimentos em Hong Kong. "Este conflito não está ajudando."

O retorno da confiança do consumidor norte-americano --no menor nível em cinco anos, com o desemprego no maior nível em quatro anos e subindo-- é o fator crucial que os economistas querem ver antes de anunciar o início de uma recuperação econômica.

Analistas do banco ING Barings prevêem que o crescimento do consumo privado dos Estados Unidos caia para 2,7% em 2001, de 5,3% em 2000, recuperando-se para apenas 3,2% em 2002.

Os Estados Unidos lideraram bombardeios no domingo ao Afeganistão, país que o presidente George W.Bush acusar o país de esconder Osama bin Laden, principal suspeito de ser o responsável pelos ataques de 11 de setembro aos Estados Unidos.

ESPERANDO A POEIRA BAIXAR

Os mercados acionários asiáticos recuperaram parte das fortes perdas da abertura, mas ainda fecharam em baixa nesta segunda-feira, enquanto os spreads dos bônus estavam ligeiramente em alta mas estáveis, e as moedas mantinham terreno, embora o mercado estivesse fraco devido a feriados no Japão e Estados Unidos.

Mas analistas disseram que com as quedas já embutidas nos preços desde 11 de setembro --dia dos ataques aos Estados Unidos-- em antecipação a uma retaliação, os movimentos estavam dentro das expectativas.

"Tudo depende do que os ataques conseguirão", disse à Reuters Li Lian Ong, economista regional do Macquarie Bank em Hong Kong.

"Os ataques poderiam ser bem-sucedidos e todos ficariam otimistas, ou as coisas poderiam levar meses e nada ser alcançado."

Economistas disseram que querem ver a poeira baixar antes de considerar se mais revisões de previsões de crescimento são necessárias.

"Essa resposta militar dos Estados Unidos era esperada pelos mercados. Não era uma questão de se eles responderiam, mas quando e com qual força os ataques ocorreriam", disse Mike Moran, economista do Standard Chartered Bank em Hong Kong.

Investidores asiáticos estavam certos de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, irá reduzir novamente as taxas de juros do país.