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Sexo, uma forma de lutar contra o medo depois dos atentados nos EUA

LOS ANGELES, EUA, 4 out (AFP) - Casais que se reconciliam, amantes que se tornam mais apaixonados, homens e mulheres solteiros em busca de relações sexuais, são alguns dos efeitos do clima de tensão bélica vivido nos Estados Unidos desde os atentados terroristas, afirmam os especialistas referindo-se ao sexo como uma das formas mais primárias de libertação da ansiedade.

"Vivemos tempos espantosos que nos fazem sentir mais vulneráveis e o sexo torna as pessoas mais fortes, mais poderosas, mais vitais", explica Gail Wyatt, professora de psicologia clínica na UCLA (Universidade da Califórnia Los Angeles), para quem pode-se esperar um aumento da taxa de natalidade nos próximos nove ou dez meses.

Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro passado em Nova York e Washington "uma grande tensão e ansiedade acompanham a insegurança reinante" e "a necessidade de sentir-se amado leva a pessoa a ter mais interesse sexual num momento como este", acrescenta.

"Especialmente para as pessoas que não sabem como falar de seus medos, o sexo é uma forma de atuar fisicamente sobre os sentimentos", considera Mary Andres, psicóloga clínica da Universidade do Sul da Califórnia, assinalando que um grande número de pacientes manifestaram depois dos atentados um aumento do desejo sexual.

Os desastres e as tragédias são situações que, de forma similar à iminência de uma guerra, estimulam o sentimento de risco, atuando sobre a libido.

Wyatt recorda que depois do terremoto de 6,7 graus de magnitude que abalou o sul da Califórnia em 1994, muitas mulheres que participaram de um estudo realizado pela UCLA afirmaram ter feito amor depois do sismo.

"Não é preciso estar na cidade onde ocorre a tragédia para sentir-se afetado por este fenômeno", afirma destacando que no momento de tensão bélica internacional como o atual o aumento do desejo sexual pode ser sentido "em todo o mundo".

Em nível físico, nosso corpo reage do mesmo modo ao medo que à paixão, recorda Andres, e "como o medo é algo abstrato com o qual às vezes não sabemos como tratar, preferimos recorrer a algo que está mais sob nosso controle", como uma relação sexual, afirma.

"Todos os hormônios parecem estar trabalhando, a respiração é ofegante e o coração bombeia sangue mais rápido, e tudo isto proporciona uma sensação de estar muito vivo", acrescenta Wyatt.

A incerteza do futuro faz com que as pessoas reflitam sobre suas vidas e relações com os demais.

"Os casais que brigam por coisas triviais agora se dão conta do dom precioso que é a vida pelo que uma situação como esta pode reconciliar algumas pessoas", segundo Andres.

Do mesmo modo, "pode levar pessoas a manter relações sexuais com estranhos", acrescenta.

O que pode resultar perigoso. "As pessoas podem agir de forma impulsiva, criando uma situação muito romântica para descobrir depois que realmente não tinha a substância necessária", afirma Wya