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Guerra contra o terrorismo utilizará táticas da luta contra a droga

WASHINGTON, 25 set (AFP) - A "guerra contra o terrorismo" lançada pelos Estados Unidos será semelhante à guerra contra a droga iniciada há 20 anos: a batalha se prenuncia longa, o inimigo opera em redes clandestinas no exterior, mas também dentro de fronteiras, e o trabalho de inteligência e a luta contra a lavagem de dinheiro são básicas, segundo especialistas.

A guerra se desenvolverá principalmente nas frentes de inteligência, finanças, diplomacia e informática, apoiada por operações militares que no entanto não dominarão o cenário. Haverá pequenos triunfos, mas muitos deles permanecerão em segredo.

Segundo Emilio Viano, especialista em assuntos estratégicos da American University, "o governo luta com as mesmas técnicas" contra a droga e o terrorismo: "interceptação de mensagens, vôos de vigilância, inspeção de aeroportos; rastreando embarques no caso da droga, e -por exemplo- a compra de materiais para construir explosivos no caso do terrorismo".

O presidente americano George W. Bush disse nesta terça-feira na sede do FBI que a agência deve ser autorizada a rastrear os telefonemas de supostos terroristas ou de seus colaboradores, como já se faz com "os traficantes de droga e membros do crime organizado".

Tanto nas organizações terroristas quanto nas do tráfico "há um centro nervoso, gente que produz, gente que distribui, gera uma quantidade de dinheiro que deve ser mobilizado", informou o ex-chefe do setor de luta contra o terrorismo da CIA, Vince Cannistraro.

Muitas vezes, apesar da luta, "os comandos no controle permanecem intactos apesar de os tentáculos terem secado", pelo que a solução para o problema "não pode ser perfeita", acrescentou.

Viano destacou as coincidências nas maneiras de operar de ambos os grupos, nos quais "existe o mesmo elemento de segredo, de evitar a autoridade, de criar células, de estabelecer redes em todo nível, de mobilizar as drogas ou as armas, distribui-las, lavar o dinheiro obtido".

Washington, que já contava com um "czar antidroga", designou nesta quinta-feira um "czar antiterrorrismo", o ex-governador da Pensilvânia, Tom Ridge.

Os terroristas e os traficantes de drogas operam "clandestinamente, e não se pode obter vitórias instantâneas" ao enfrentá-los, coincidiu o analista do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, Anthony Cordesman.

No entanto, destacou suas diferentes motivações. "As dos terroristas muitas vezes são ideológicas; suas estruturas financeiras, escondidas, envolvem uma longa cadeia de doações; seus laços com os estados são muito diferentes aos dos traficantes de drogas, e obviamente suas metas e sua vontade de utilizar a força são diferentes", dijo.

Cannistraro também precisou que "há uma equação de demanda e fornecimento no narcotráfico que não existe" no terrorismo, e diferenciou a motivação "criminal, econômica" dos vendedores de droga da "busca de uma agenda religiosa e política" dos terroristas procurados agora por Washington.

Mas as organizações terroristas ou os países que as protegem se financiam às vezes com o narcotráfico; desde as guerrilhas e os paramilitares na Colômbia até os Talebans no Afeganistão, destacaram.

Segundo a International Drug Control Organisation, o Afeganistão é junto a Mianmar o primeiro produtor de heroína. Com sua venda financia presumivelmente a luta contra os rebeldes e a compra de armas.

Embora os Talebans tenham suspendido oficialmente em julho de 2000 o cultivo de sementes de papoula, um informe do Conselho de Segurança Nacional da ONU sugeriu que a droga está sendo armazenada para elevar seu preço.

Os Estados Unidos admitem que a guerra contra o terrorismo, além de não convencional, será longa e terá um objetivo amplo. "A definição de vitória é quando a liberdade vence o medo", disse o porta-voz presidencial Ari Fleischer sexta-feira.