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Líder islâmico da Índia não lamenta
mais atentados aos EUA NOVA DÉLHI (Reuters) - O principal clérigo da maior mesquita da Índia disse na sexta-feira que não sente mais tristeza pelos mortos nos atentados de 11 de setembro contra Nova York e Washington, porque os Estados Unidos estão retaliando contra civis muçulmanos do Afeganistão. Em um discurso inflamado na mesquita Jama Masjid, de Nova Délhi, Syed Ahmed Bukhari disse que agora ficou evidente que o verdadeiro alvo dos EUA e seus aliados é o Islã e que os ataques são a continuação de uma guerra entre "crentes e descrentes" que já dura 1.400 anos. Após 11 de setembro, o religioso radical se disse triste com os quase 5 mil mortos nos atentados e afirmou que a ação nada tinha a ver com sua religião. "Juro por Deus, agora não lamento mais os atentados", disse ele para centenas de fiéis na suntuosa mesquita do bairro velho da capital. "As bombas que eles estão usando contra civis inocentes no Afeganistão são as mais poderosas depois das bombas atômicas", afirmou. Os ataques ao Afeganistão despertaram a ira de muitos muçulmanos da Índia, mas os mais moderados criticam Bukhari por seus discursos raivosos e afirmam que ele não é um porta-voz da comunidade. Os muçulmanos representam mais de 12% da população indiana, de 1 bilhão de pessoas. O país, de maioria hindu, foi um dos primeiros a dar apoio à ação militar dos EUA. Bukhari já havia convocado os muçulmanos da Índia a uma guerra santa em defesa do regime Taliban, mas o apelo teve pouca repercussão. "Rezo a Alá para destruir a América e seus aliados que agora tentam destruir o Islã. Assim a América sentirá como é estar do lado mais fraco, como se sentem nossas mães, irmãs e filhos", disse ele na sexta-feira. |