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Mulheres afegãs não podem estudar, trabalhar e rir

Desde que tomou o poder, o grupo extremista islâmico Taleban determinou que os afegãos deveriam viver de acordo com a sua interpretação -bastante questionada por muçulmanos menos radicais- da sharia, ou lei islâmica. Os afegãos, sejam homens ou mulheres, muçulmanos ou não, que não cumprem as regras determinadas pelo Taleban estão sujeitos a penas como apedrejamento, enforcamento ou fuzilamento públicos e podem ser presos ou ter suas mãos cortadas.

Entre os "crimes" puníveis com a morte, estão ouvir música, assistir a filmes, vídeos ou canais de TV, ler ou carregar livros considerados "não-islâmicos", usar a internet, empinar pipas e brincar com pássaros.
No caso das mulheres, a essas proibições se acrescentam muitas outras.

Elas não podem estudar nem trabalhar. Só podem sair de casa se estiverem cobertas da cabeça aos pés e acompanhadas de seu pai, irmão ou marido. Se ficam doentes, não podem ser atendidas ou operadas por homens. São proibidas de rir, cantar, fazer esportes, usar maquiagem ou sapatos altos, andar de bicicleta ou ir a festas.

"O fundamentalismo islâmico vê as mulheres como seres subumanos, aptas somente para a escravidão doméstica e a procriação. Essa visão ultrajante foi elevada ao status de política oficial com a tomada de poder pelo Taleban", diz um texto no site da Rawa (Associação das Mulheres Revolucionárias do Afeganistão).

A Rawa foi fundada em Cabul em 1977 como um movimento para aumentar a participação política das mulheres e promover um regime democrático e secular.

A piora das condições no Afeganistão, porém, fez com que o grupo transferisse sua sede para Quetta (Paquistão) e se voltasse para questões como saúde e educação.

Algumas das 2.000 mulheres que fazem parte do grupo ainda realizam atividades clandestinas como ensinar crianças e mulheres a ler e a escrever e oferecer tratamento médico às que fiquem doentes dentro do Afeganistão, mas sabem que, se forem descobertas, serão condenadas à morte.

A Rawa também se dedica à denúncia das condições no Afeganistão. Mulheres, portando câmeras de vídeo sob a burga -traje que são obrigadas a usar- , filmam execuções e apedrejamentos em segredo e os enviam a canais de TV do mundo todo.

Mas, apesar de sua oposição ao regime do Taleban, as mulheres da Rawa temem um ataque militar dos EUA.

"Muitos homens já estão sendo convocados pelo Taleban por causa da ameaça de ataque. Como as mulheres não podem trabalhar, muitas vezes a perda de familiares homens equivale a uma sentença de morte", diz Steve Penners, presidente da Afghan Women's Mission, uma ONG norte-americana com sede em Pasadena (Califórnia), estabelecida para levantar fundos para um hospital para mulheres afegãs em Quetta.